oi quadrado querido!
mi, era dia de email coletivo sim, mas eu sou uma relapsa e nem escrevi. importante é que eu tou escrevendo agora né? pois.
então, meu fds foi um caso sério. porque fds é tempo de descanso né? mas aí a socialidade né? é uma coisa importante na vida das pessoas. e eu voltei sexta de são paulo, mortinha da silva, às 4 da tarde e às 8 tava na estrada de novo, voltando pra lá, pois sim, que guiom fez amigos novos lá e eles convidaram a gente pra jantar. mas, era de noite, fica ruim de ver as placas e o mapa e a gente se perdeu feio naquela cidade gigante e vimos polícia prendendo bandidos com direito a tiros e tudo, foi uma emoção só. resultado: chegamos tardérrimo no tal jantar, joão tava apavorado, guiom uma pilha e eu um bagaço. daí tentei ser simpática com os amigos novos, claro, que eu achava que eram todos portugueses. mas nem eram. tinha um chileno, um italiano e um polonês e a minha cabeça tava lenta lenta e meu inglês|francês|alemão|espanhol não tava funcionando muito bem. enfim. legais as pessoas, mas não consegui conversar muito. juro que tentei, mas nesse dia não deu.
por causa disso chegamos em casa quase de manhã e eu continuei mortinha da silva o resto do fds. e tinha pilhas de livros e textos pra estudar que os meus trabalhos finais das disciplinas desse semestre estão meio mirabolantes. são três: uma de historia do teatro, outra de crítica cultural e outra de educação-cultura-comunicação-linguagem. pessoas, vocês não têm a menor noção do quanto esse troço é puxado. saca um nível de exigência além das suas capacidades? pois saquem. e ainda tem essa de escrever monografias monstruosas pra cada uma no fim do semestre. problema é: tem uma que acaba semana que vem! e eu tou arrancando metade dos meus cabelinhos. essa que acaba semana que vem foi a aula de hoje; aí a anta que vos escreve inventou de fazer um comentário metido sobre umberto eco na aula e se fudeu (foi mal o palavrão, mas é isso); professor encasquetou que minha própria monografia dessa disciplina vai ser uma viagem qualquer sobre a polarização apocalípticos x integrados. sacam? fudida. totalmente. ler aquele livro indecifrável. e escrever sobre isso. alguém aí me salve por favor.
pra compensar o choque (mulher TEM que compensar o choque né? TEM que), entrei no primeiro brechó que surgiu no meu caminho e comprei três vestidos. tá, eram lindos. tá, eram baratos. mas precisava? não né? mas eu TINHA que. entendem né? eu sei que sim. agora tou com dor na consciência e no bolso, que é bem pior..
e chove. nunca chove nessa terra, mas, quando chove, a pessoa jura que é o dia do juízo final. aí duas semanas atrás foi o dia mais frio do ano, sensação térmica de 3 graus. semana passada fez 40 e agora deve estar nuns 18. e a saúde da pessoa indo pro brejo direto sem escalas que não haá ser humano nessa galáxia que agüente essa palhaçada climática.
falando em saúde, minha ginecologista suspeita que eu esteja com endometriose. por favor, não contem à minha mãe que eu sou filha única e ela é velhinha. mas eu tou com medinho. medo mesmo não, medinho só. e tem as espinhas. que não me abandonam jamais de la vie. e minha dermatologista fala que são os hormônios malucos por causa da possível endometriose e eu fico nessa. já tou no quinto remédio pra acne desse ano. e isso sem contar a parafernália de pílulas e géis e loções e cremes e protetores que eu tenho que passar todo dia o dia todo. pareço uma maluca no banheiro da puc no meu ritual de beleza depois do almoço. é tragicômico.
ah, esse fds eu vi dois filminhos legais: "a máquina" de joão falcão, com mariana ximenes e "querida wendy", com roteiro de lars von trier. gostei de ambos. e tou lendo um livro chamado norwegian wood, mas depois falo dele.
mas assim: cadê isabella hein? zabé? tu tá aqui? favor deixar recado, certo? grata pela preferência.
meninas eu vou indo. combinem o dia da gente se encontrar no msn ok?
beijos a todas!
gio.
ps: eu pensei em postar parte desse email no blog.. post tipo "quebrei minha unha hoje". vocês se incomodam? eu tiro os trechos mais "intimistas" hehehe. sabem como é: inspiração escassa..
precisa comentar? não né? beleza então.
quarta-feira, 20 de setembro de 2006
quarta-feira, 6 de setembro de 2006
Tem dias que bate uma nostalgia braba na vida da pessoa.
Don't you cry tonight
I still love you baby
Don't you cry tonight
There's a heaven above you baby
Don't you cry tonight
Como se ouvir essa musica não fosse suficiente, quando acaba a fita (sim, a fita) do Guns você coloca a fita (sim, a fita; outra) da Legião pra tocar.
Todos os dias
Quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo
Do mundo
É uma situação complexa.
Quando eu tinha treze anos, eu ficava deprê com essas duas musicas. A primeira porque me lembrava de um amor platônico que eu cultivava desde os oito (!) anos com uma perseverança cega que me impressiona até hoje. A segunda porque me fazia pensar no dia em que eu já não poderia mais ingenuamente pensar que eu tinha todo o tempo do mundo porque eu era tão jovem. E as duas juntas ao mesmo tempo agora porque eu tinha certeza (hahaha) de que quando eu fosse gente grande eu não sofreria mais por amor (hahaha).
Quando eu tinha treze anos, eu achava que chegaria um tempo em que os problemas teriam fim. Quando eu tinha treze anos eu era uma grandessíssima tonta.
Acho que ainda sou.
Quando eu tinha treze anos eu sofria desde os oito (!) por conta da total ignorância de Fred com relação à minha pessoa. Pior. Porque se ele efetivamente me ignorasse de todo, eu ainda teria a possibilidade de me apegar à chance de que um dia ele olharia pra mim. Mas não. Ele não efetivamente me ignorava de todo. Ele sabia quem eu era. E ele até gostava de mim e era atencioso e educado. Problema é que eu era a melhor amiga da irmã caçula dele. Problema dos grandes. Eu era filha de grandes amigos dos pais deles e nossas famílias eram da mesma cidade. Ele praticamente me viu nascer. Era esse o problema. Dos grandes. Eu era alguém na vida dele sim. Alguém de certa forma importante. Que merecia respeito e carinho. E só. E eu amava Fred com toda a força do meu coraçãozinho de criança e mais tarde de pré-adolescente. E isso durou dos oito (!) aos treze anos. Sem que eu conseguisse achar graça em outro menino qualquer do universo. E eu vi Fred se apaixonar e azarar e namorar outras meninas. Que pra mim eram as mais felizes e sortudas de todas. Todos eles ¿ Fred e suas namoradinhas ¿ lá em cima no alto de um pedestal onde eu nunca conseguiria chegar.
Um dia eu cresci e Fred teve que morrer pra mim. Teve né? Porque a fila anda. Sempre anda. Tem que andar. Depois a gente se reencontrou e eu namorei um amigo dele e a gente se perdeu de novo e se reencontrou e a mesma coisa um monte de vezes. Aí ele sumiu no mundo. Quer dizer. Eu sempre soube onde ele estava. Que eu sou muito amiga da irmã caçula dele até hoje. Mas ele sumiu da minha vida de vez. Por um longo tempo.
Aí, em julho passado, tou eu perambulando de bar em bar na feirinha de Tambaú em companhia de Brubru e Dridri e com quem eu dou de cara? Pois foi. E essas lembranças todas me vieram à cabeça na hora em que eu vi Fred surgindo no fim da rua. Eu não pude me impedir de abraçá-lo apertado. Depois de perceber o tamanho da afeição que eu sinto por ele até hoje. Trocamos umas frases e depois fomos cada um pra um lado. Mas eu continuei sorrindo pelo resto da noite. Porque eu entendi. O quanto Fred foi importante pra mim. Por mais tonta que eu tenha sido por tanto tempo.
Fred me fez acreditar por anos e anos que chegaria o dia em que eu não mais sofreria por causa de amores contrariados. Me fez acreditar que um dia eu encontraria alguém especial e me apaixonaria e decidiria dividir a vida com essa pessoa e casaria e faria planos.
Bem.
Assim foi. A diferença é que eu achei - eu sempre achei - que nesse dia eu deixaria de sofrer e de me perguntar se era isso e de querer morrer às vezes.
E era tudo mentira. Essas coisas todas nas quais eu acreditei. Que eu deixaria de sofrer e tudo mais. Porque ninguém deixa.
Pelo menos eu acho que não. E eu acho também que se a pessoa deixa de sofrer e de se perguntar se é isso e de querer morrer às vezes é porque a pessoa já morreu e nem notou.
Bonito falar né?
Mas quem foi que disse que é bacana sofrer?
Don't you cry tonight
I still love you baby
Don't you cry tonight
There's a heaven above you baby
Don't you cry tonight
Como se ouvir essa musica não fosse suficiente, quando acaba a fita (sim, a fita) do Guns você coloca a fita (sim, a fita; outra) da Legião pra tocar.
Todos os dias
Quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo
Do mundo
É uma situação complexa.
Quando eu tinha treze anos, eu ficava deprê com essas duas musicas. A primeira porque me lembrava de um amor platônico que eu cultivava desde os oito (!) anos com uma perseverança cega que me impressiona até hoje. A segunda porque me fazia pensar no dia em que eu já não poderia mais ingenuamente pensar que eu tinha todo o tempo do mundo porque eu era tão jovem. E as duas juntas ao mesmo tempo agora porque eu tinha certeza (hahaha) de que quando eu fosse gente grande eu não sofreria mais por amor (hahaha).
Quando eu tinha treze anos, eu achava que chegaria um tempo em que os problemas teriam fim. Quando eu tinha treze anos eu era uma grandessíssima tonta.
Acho que ainda sou.
Quando eu tinha treze anos eu sofria desde os oito (!) por conta da total ignorância de Fred com relação à minha pessoa. Pior. Porque se ele efetivamente me ignorasse de todo, eu ainda teria a possibilidade de me apegar à chance de que um dia ele olharia pra mim. Mas não. Ele não efetivamente me ignorava de todo. Ele sabia quem eu era. E ele até gostava de mim e era atencioso e educado. Problema é que eu era a melhor amiga da irmã caçula dele. Problema dos grandes. Eu era filha de grandes amigos dos pais deles e nossas famílias eram da mesma cidade. Ele praticamente me viu nascer. Era esse o problema. Dos grandes. Eu era alguém na vida dele sim. Alguém de certa forma importante. Que merecia respeito e carinho. E só. E eu amava Fred com toda a força do meu coraçãozinho de criança e mais tarde de pré-adolescente. E isso durou dos oito (!) aos treze anos. Sem que eu conseguisse achar graça em outro menino qualquer do universo. E eu vi Fred se apaixonar e azarar e namorar outras meninas. Que pra mim eram as mais felizes e sortudas de todas. Todos eles ¿ Fred e suas namoradinhas ¿ lá em cima no alto de um pedestal onde eu nunca conseguiria chegar.
Um dia eu cresci e Fred teve que morrer pra mim. Teve né? Porque a fila anda. Sempre anda. Tem que andar. Depois a gente se reencontrou e eu namorei um amigo dele e a gente se perdeu de novo e se reencontrou e a mesma coisa um monte de vezes. Aí ele sumiu no mundo. Quer dizer. Eu sempre soube onde ele estava. Que eu sou muito amiga da irmã caçula dele até hoje. Mas ele sumiu da minha vida de vez. Por um longo tempo.
Aí, em julho passado, tou eu perambulando de bar em bar na feirinha de Tambaú em companhia de Brubru e Dridri e com quem eu dou de cara? Pois foi. E essas lembranças todas me vieram à cabeça na hora em que eu vi Fred surgindo no fim da rua. Eu não pude me impedir de abraçá-lo apertado. Depois de perceber o tamanho da afeição que eu sinto por ele até hoje. Trocamos umas frases e depois fomos cada um pra um lado. Mas eu continuei sorrindo pelo resto da noite. Porque eu entendi. O quanto Fred foi importante pra mim. Por mais tonta que eu tenha sido por tanto tempo.
Fred me fez acreditar por anos e anos que chegaria o dia em que eu não mais sofreria por causa de amores contrariados. Me fez acreditar que um dia eu encontraria alguém especial e me apaixonaria e decidiria dividir a vida com essa pessoa e casaria e faria planos.
Bem.
Assim foi. A diferença é que eu achei - eu sempre achei - que nesse dia eu deixaria de sofrer e de me perguntar se era isso e de querer morrer às vezes.
E era tudo mentira. Essas coisas todas nas quais eu acreditei. Que eu deixaria de sofrer e tudo mais. Porque ninguém deixa.
Pelo menos eu acho que não. E eu acho também que se a pessoa deixa de sofrer e de se perguntar se é isso e de querer morrer às vezes é porque a pessoa já morreu e nem notou.
Bonito falar né?
Mas quem foi que disse que é bacana sofrer?
domingo, 20 de agosto de 2006
Eu tenho uma faxineira pra me dar uma mão nos momentos difíceis. É a quinta desde que cheguei em Campinas. As outras eram as quatro filhas dela. Mas não era disso que eu queria falar.
Eu queria falar sobre como as pessoas são incapazes (na maior parte do tempo) de aceitar o non-sense. Ou o unusual (excesso de vocábulos in english por aqui, rã?).
Enfim, dona Josefa, como muitas pessoas que eu conheço, não consegue aceitar os fatos. O fato, na verdade. Somente porque o fato foge ao padrão de normalidade que sabe-a-Deusa-o-por-quê aplicamos aos seres humanos adultos viventes nesse mundo.
Toda vez que dona Josefa vem aqui, ela insiste em levar Schuda do meu quarto pro quarto de João. Sabendo que o lugar de Schuda é deitada no meu travesseiro. Não, vocês não conhecem Schuda.
Então. Schuda é minha ovelha de pelúcia.
Pausa.
Muita calma nessa hora.
Sim. Eu tenho uma ovelha de pelúcia. Sim. O nome dela é Schuda. Mentira. O nome dela é Sudanesa Huda Yohana. Schuda é o apelido. Sim. Minha ovelha de pelúcia tem nome duplo, sobrenome e apelido. Sim. Eu durmo com ela. Sim. Eu passo a noite toda abraçada com ela. Sim. Eu, o marido e a ovelha dividimos a mesma cama. Não. Não pensem obscenidades. Que eu, Guiom e Schuda temos um profundo respeito pelos relacionamentos estabelecidos entre cada dois de nós.
Percebem?
Schuda é fundamental para mim. Amor não se justifica, por isso não vou ficar aqui explicando. Apenas quero esclarecer que eu sou casada, com filho, família grande, amigos numerosos, cachorro querido e coisas estimadas. Sei que sou amada e não me falta um carinho quando preciso. Mesmo assim preciso dormir abraçada com Schuda pra me sentir feliz e em paz.
Problema é: as pessoas não aceitam isso com naturalidade. E ficam querendo me convencer do quanto dormir abraçada com uma ovelha de pelúcia é uma coisa infantil. E ficam querendo me separar de Schuda.
Oras.
Muito bem.
Pode até ser infantil. Afinal eu agora tenho 26 anos. Pois olhem: eu tenho 26 anos, terminei a faculdade e estou no meio de uma especialização. Mas continuo sem saber o que quero ser quando crescer.
Problemas, hein?
Eu queria falar sobre como as pessoas são incapazes (na maior parte do tempo) de aceitar o non-sense. Ou o unusual (excesso de vocábulos in english por aqui, rã?).
Enfim, dona Josefa, como muitas pessoas que eu conheço, não consegue aceitar os fatos. O fato, na verdade. Somente porque o fato foge ao padrão de normalidade que sabe-a-Deusa-o-por-quê aplicamos aos seres humanos adultos viventes nesse mundo.
Toda vez que dona Josefa vem aqui, ela insiste em levar Schuda do meu quarto pro quarto de João. Sabendo que o lugar de Schuda é deitada no meu travesseiro. Não, vocês não conhecem Schuda.
Então. Schuda é minha ovelha de pelúcia.
Pausa.
Muita calma nessa hora.
Sim. Eu tenho uma ovelha de pelúcia. Sim. O nome dela é Schuda. Mentira. O nome dela é Sudanesa Huda Yohana. Schuda é o apelido. Sim. Minha ovelha de pelúcia tem nome duplo, sobrenome e apelido. Sim. Eu durmo com ela. Sim. Eu passo a noite toda abraçada com ela. Sim. Eu, o marido e a ovelha dividimos a mesma cama. Não. Não pensem obscenidades. Que eu, Guiom e Schuda temos um profundo respeito pelos relacionamentos estabelecidos entre cada dois de nós.
Percebem?
Schuda é fundamental para mim. Amor não se justifica, por isso não vou ficar aqui explicando. Apenas quero esclarecer que eu sou casada, com filho, família grande, amigos numerosos, cachorro querido e coisas estimadas. Sei que sou amada e não me falta um carinho quando preciso. Mesmo assim preciso dormir abraçada com Schuda pra me sentir feliz e em paz.
Problema é: as pessoas não aceitam isso com naturalidade. E ficam querendo me convencer do quanto dormir abraçada com uma ovelha de pelúcia é uma coisa infantil. E ficam querendo me separar de Schuda.
Oras.
Muito bem.
Pode até ser infantil. Afinal eu agora tenho 26 anos. Pois olhem: eu tenho 26 anos, terminei a faculdade e estou no meio de uma especialização. Mas continuo sem saber o que quero ser quando crescer.
Problemas, hein?
domingo, 23 de julho de 2006
Deixa eu ir logo dizendo uma verdade. Marisa Monte é a melhor cantora (e compositora) que eu conheço. Pra mim né? Porque né? Cada um com a sua.
Eu acho que eu amei Marisa desde o momento em que eu ouvi a primeira música. Que foi "Bem que se quis", numa novela global qualquer. E faz tempo isso. E eu era bem novinha que disso eu me recordo.
Mas Marisa não me saiu da cabeça e eu tratei de adquirir todos os cds e decorar todas as canções.
Só que eu sempre tive um carinho especial por músicas que não eram dela mas que ela soube interpretar como ninguém. Os sambas e os chorinhos. E eu me apaixonei por Paulinho da Viola e Pixinguinha por causa de Marisa. Que eu ouvia os dois quando eu era criança por causa do meu pai. Mas a paixão mesmo surgiu por causa de Marisa. E eu pensava comigo mesma que Marisa podia gravar ainda mais sambas e chorinhos. Qual não foi a minha surpresa quando ela lançou os discos novos, e um deles, segundo ela mesma, tinha sido "gravado em uma atmosfera de samba".
Não só um disco de sambas, um disco de sambas escritos por ela.
:)
A piece of heaven..
Bem aqui no meu aparelho de som.
"Tarde, já de manhã cedinho
Quando a névoa toma conta da cidade (..)
E eu já não me sinto só
Tão só, tão só
Com o universo ao meu redor"
Querem saber? Se eu fosse uma música eu seria um samba.
Assim.. eu me considero uma pessoa relativamente roquenrou. Tanto que às vezes eu me pergunto por que eu só falo de roque por aqui. "De bandas gringas que ninguém conhece", como Bruno gosta de dizer. Porque, sério de verdade, eu seria um samba.
Nada de patriotismo, que samba não é o ritmo nacional coisa nenhuma. Samba é coisa de carioca, e o resto do país imita. Mas eu seria um samba. É. Tem muito carioquismo na minha alma sertaneja sim.
Eu seria um samba. Ponto.
"É o Bonde do Dom que me leva
Os anjos que me carregam
Os automóveis que me cercam
Os santos que me projetam
Nas asas do bem desse mundo
Carrego um quintal lá no fundo
A água do mar me bebe
A sede de ti prossegue"
Porque o samba é aquela coisa. Repleta de boemia e melancolia e nostalgia e tristeza e beleza e dor e desgosto e sofrimento e padecimento.
E uma coisa eu aprendi nessa vida. É preciso. É preciso tudo isso. Boemia e melancolia e nostalgia e tristeza e beleza e dor e desgosto e sofrimento e padecimento. É preciso pra gente sentir pelo menos um lampejo de completude de vez em quando.
Que essa estória de céu azul sem nuvens, sol brilhante, mar calmo e brisa fresca todo dia é de uma chatice sem tamanho.
É preciso que haja tempestades. Nuvens negras, raios e trovões, furacões e maremotos.
É preciso chorar, sofrer, padecer. Que essa é a metade obscura da vida. Mas é a metade dela, então não adianta tentar fugir porque ninguém vai conseguir.
"Quando é noite de lua, eu saio pra rua pra meditar
O meu pinho faz tudo pra ver meu canário cantar
No soluçar do vento
No sussurro das folhagens
No gemido dos coqueiros
Pede a ele pra criar coragem
Nem assim o meu canário canta
E da minha garganta um triste gemido sai"
Tá, eu sei. Quando se está feliz, não existe tempo pra pensar que um dia a tristeza vai chegar. Mas eu nunca prometi ser normal. Então eu sempre penso. Mesmo feliz, eu penso na tristeza. Porque a tristeza é uma velha amiga. Que eu conheço bem. E outra. Eu não consigo ser nada aos poucos. Nem feliz nem triste. Eu me jogo, eu já disse isso aqui. Eu já tentei ser diferente. Mas eu não consigo. Eu me jogo. E quando eu me jogo vem tudo ao mesmo tempo. Felicidade e tristeza. Mas eu já acostumei. A vida toda me jogando né? Acostumei sim. É só assim que eu sei viver.
"Coração não tem barreira, não
Desce a ladeira, perde o freio devagar
Eu quero ver cachoeira desabar
Montanha, roleta russa, felicidade
Posso me perder pela cidade
Fazer o circo pegar fogo de verdade
Mas tenho meu canto cativo pra voltar"
Aí depois de ouvir o cd todinho três vezes, eu me peguei perguntando sobre onde fica o amor no meio disso tudo. Porque sem amor não há samba.
"Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de mudar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor"
Então Nelson né? Porque depois de um primeiro encontro pouco satisfatório com a obra de Nelson Rodrigues, Bruno proporcionou-me uma emoção intensa e preciosa ao me recomendar (e me emprestar) um trecho de "A Menina Sem Estrela". E eu me emocionei muitíssimo e chorei todas as minhas pitangas com essas memórias de Nelson. Mas depois eu falo mais delas. Que eu queria falar aqui de coisinhas que Nelson disse sobre o amor.
"(..) continuou o meu romance com Lúcia. Pouco a pouco fui dizendo as coisas que são tudo para mim: - 'Todo amor é eterno e, se acaba, não era amor'. E dizia: - 'Quem nunca desejou morrer com o ser amado, não amou, nem sabe o que é amar'. As nossas conversas eram tristes, porque o amor nada tem a ver com a alegria e nada tem a ver com a felicidade."
Querem saber? Eu sempre pensei assim. Certas coisas a gente tem medo de dizer. Principalmente entre amigos que acreditam no amor verdadeiro. Principalmente em público como aqui. Por isso acho que eu nunca disse. Mas é isso. O amor passa longe da felicidade.
Querem saber? Eu não sei se eu sei onde fica o amor no meio disso tudo. Porque essa é uma mania muito besta que a gente tem. Essa de querer saber definir o amor, de querer saber onde ele fica e tudo mais. Melhor deixar o amor quieto. O amor também passa longe da racionalidade. Então não cabem explicações. Ama-se. Ponto. Sem pensar sobre isso. Deixa eu parar de falar de amor de uma vez.
Sim. Eu seria um samba.
Eu acho que eu amei Marisa desde o momento em que eu ouvi a primeira música. Que foi "Bem que se quis", numa novela global qualquer. E faz tempo isso. E eu era bem novinha que disso eu me recordo.
Mas Marisa não me saiu da cabeça e eu tratei de adquirir todos os cds e decorar todas as canções.
Só que eu sempre tive um carinho especial por músicas que não eram dela mas que ela soube interpretar como ninguém. Os sambas e os chorinhos. E eu me apaixonei por Paulinho da Viola e Pixinguinha por causa de Marisa. Que eu ouvia os dois quando eu era criança por causa do meu pai. Mas a paixão mesmo surgiu por causa de Marisa. E eu pensava comigo mesma que Marisa podia gravar ainda mais sambas e chorinhos. Qual não foi a minha surpresa quando ela lançou os discos novos, e um deles, segundo ela mesma, tinha sido "gravado em uma atmosfera de samba".
Não só um disco de sambas, um disco de sambas escritos por ela.
:)
A piece of heaven..
Bem aqui no meu aparelho de som.
"Tarde, já de manhã cedinho
Quando a névoa toma conta da cidade (..)
E eu já não me sinto só
Tão só, tão só
Com o universo ao meu redor"
Querem saber? Se eu fosse uma música eu seria um samba.
Assim.. eu me considero uma pessoa relativamente roquenrou. Tanto que às vezes eu me pergunto por que eu só falo de roque por aqui. "De bandas gringas que ninguém conhece", como Bruno gosta de dizer. Porque, sério de verdade, eu seria um samba.
Nada de patriotismo, que samba não é o ritmo nacional coisa nenhuma. Samba é coisa de carioca, e o resto do país imita. Mas eu seria um samba. É. Tem muito carioquismo na minha alma sertaneja sim.
Eu seria um samba. Ponto.
"É o Bonde do Dom que me leva
Os anjos que me carregam
Os automóveis que me cercam
Os santos que me projetam
Nas asas do bem desse mundo
Carrego um quintal lá no fundo
A água do mar me bebe
A sede de ti prossegue"
Porque o samba é aquela coisa. Repleta de boemia e melancolia e nostalgia e tristeza e beleza e dor e desgosto e sofrimento e padecimento.
E uma coisa eu aprendi nessa vida. É preciso. É preciso tudo isso. Boemia e melancolia e nostalgia e tristeza e beleza e dor e desgosto e sofrimento e padecimento. É preciso pra gente sentir pelo menos um lampejo de completude de vez em quando.
Que essa estória de céu azul sem nuvens, sol brilhante, mar calmo e brisa fresca todo dia é de uma chatice sem tamanho.
É preciso que haja tempestades. Nuvens negras, raios e trovões, furacões e maremotos.
É preciso chorar, sofrer, padecer. Que essa é a metade obscura da vida. Mas é a metade dela, então não adianta tentar fugir porque ninguém vai conseguir.
"Quando é noite de lua, eu saio pra rua pra meditar
O meu pinho faz tudo pra ver meu canário cantar
No soluçar do vento
No sussurro das folhagens
No gemido dos coqueiros
Pede a ele pra criar coragem
Nem assim o meu canário canta
E da minha garganta um triste gemido sai"
Tá, eu sei. Quando se está feliz, não existe tempo pra pensar que um dia a tristeza vai chegar. Mas eu nunca prometi ser normal. Então eu sempre penso. Mesmo feliz, eu penso na tristeza. Porque a tristeza é uma velha amiga. Que eu conheço bem. E outra. Eu não consigo ser nada aos poucos. Nem feliz nem triste. Eu me jogo, eu já disse isso aqui. Eu já tentei ser diferente. Mas eu não consigo. Eu me jogo. E quando eu me jogo vem tudo ao mesmo tempo. Felicidade e tristeza. Mas eu já acostumei. A vida toda me jogando né? Acostumei sim. É só assim que eu sei viver.
"Coração não tem barreira, não
Desce a ladeira, perde o freio devagar
Eu quero ver cachoeira desabar
Montanha, roleta russa, felicidade
Posso me perder pela cidade
Fazer o circo pegar fogo de verdade
Mas tenho meu canto cativo pra voltar"
Aí depois de ouvir o cd todinho três vezes, eu me peguei perguntando sobre onde fica o amor no meio disso tudo. Porque sem amor não há samba.
"Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de mudar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor"
Então Nelson né? Porque depois de um primeiro encontro pouco satisfatório com a obra de Nelson Rodrigues, Bruno proporcionou-me uma emoção intensa e preciosa ao me recomendar (e me emprestar) um trecho de "A Menina Sem Estrela". E eu me emocionei muitíssimo e chorei todas as minhas pitangas com essas memórias de Nelson. Mas depois eu falo mais delas. Que eu queria falar aqui de coisinhas que Nelson disse sobre o amor.
"(..) continuou o meu romance com Lúcia. Pouco a pouco fui dizendo as coisas que são tudo para mim: - 'Todo amor é eterno e, se acaba, não era amor'. E dizia: - 'Quem nunca desejou morrer com o ser amado, não amou, nem sabe o que é amar'. As nossas conversas eram tristes, porque o amor nada tem a ver com a alegria e nada tem a ver com a felicidade."
Querem saber? Eu sempre pensei assim. Certas coisas a gente tem medo de dizer. Principalmente entre amigos que acreditam no amor verdadeiro. Principalmente em público como aqui. Por isso acho que eu nunca disse. Mas é isso. O amor passa longe da felicidade.
Querem saber? Eu não sei se eu sei onde fica o amor no meio disso tudo. Porque essa é uma mania muito besta que a gente tem. Essa de querer saber definir o amor, de querer saber onde ele fica e tudo mais. Melhor deixar o amor quieto. O amor também passa longe da racionalidade. Então não cabem explicações. Ama-se. Ponto. Sem pensar sobre isso. Deixa eu parar de falar de amor de uma vez.
Sim. Eu seria um samba.
segunda-feira, 10 de julho de 2006
Férias né? A pessoa perde total a inspiração pra escrever em seu próprio blog. Uma vez, numa conversa emessênica com Ailton, chegamos à conclusão que o exílio beneficia com a dádiva da melancolia os escritores (Santa pretensão, Batman!). É o caso, I think. Em sua própria terra, rodeada de seus próprios familiares, amigos e agregados queridos, em frente de seu próprio mar preferido, a pessoa tem mais o que fazer. Ou não tem nada pra fazer e fica vagabundando. Que é muitíssimo diferente de escrever ou de ter vontade de e assunto pra. Escrever é coisa de vagabundo. Óquei, I agree. Mas não coisa de vagabundo de férias de frente pra seu próprio mar preferido.
Mas como falta de inspiração pra escrever posts é um assunto demasiado batido, eu não vou ficar divagando sobre isso. Nem vou dar corda pra falta de inspiração que não faz o meu tipo. Vou ficar aqui tagarelando abobrinhas postáveis. Mais minha cara.
Aí sábado eu fui bater ponto no centro histórico pessoense com Lumy. Meio sem muita vontade por causa da chuvinha fina que sempre cai aqui no inverno e que me irrita profundamente. Mas fui. Tou lá numa jornada em busca de uma cerveja quando de repente ouço um grito-pergunta: "Gio?! Eu sou Manu!". Que eu já sabia que Manu era Manu quando eu dei de cara com ela. Foi massa. Não importa quantos anos de internet eu tenha, certos fenômenos sempre me pegam pelo pé como se eu fosse neófita. Esse de conhecer ao vivo pessoas virtuais amigas sempre me emociona. E a gente ficou de conversa mole um tempão. Mas né? Quem me conhece ao vivo sabe o quanto eu sou capaz de falar se me derem espaço. Aí eu nem conversei tudo que eu queria conversar com Manu, mas estou certa de que a gente vai se encontrar de novo. E fico deveras feliz com isso.
Caminhar né? No calçadão. Ao cair da tarde. Assim uma coisa saudável. E comer açaí? Mais ainda. Certo, beleza, tamos aí. Mas as pessoas amigas residentes nesta cidade exageram. Agora é um tal de açaí toda semana e correr e nadar e, afe, jogar vôlei. Como assim pessoas? Zabellicota bem observou, ou teria sido Ailton? Não, eu não tenho cara de quem gosta de jogar vôlei. Nem cara, nem disposição física, nem talento, nem patavina. Mas né? Tudo em nome da sociabilidade. Até ver filmes ruins, só porque Andrei queria porque queria ir ver o danado do filme que a gente já sabia que era ruim no cinema. Até perdoar Bruno porque ele tá no fim do período e só me viu duas vezes. É. Amigos né? Tamos aí.
Tem outras. Mas né? A pessoa divide o computador com os outros milhões de pessoas que dormem sob o mesmo teto dessa casa. Inclusive com sua própria filha-postiça que fica do lado da pessoa enquanto a pessoa escreve pentelhando a hora toda pra pessoa parar de escrever que já escreveu demais que ela quer entrar na internet e atualizar o flog e fuçar o orkut alheio e tagarelar no emessene. Por isso, deixem eu ir nesse momento. Eu juro e prometo - toda vez né? eu juro e prometo nas férias - que depois eu escrevo mais.
Mas como falta de inspiração pra escrever posts é um assunto demasiado batido, eu não vou ficar divagando sobre isso. Nem vou dar corda pra falta de inspiração que não faz o meu tipo. Vou ficar aqui tagarelando abobrinhas postáveis. Mais minha cara.
Aí sábado eu fui bater ponto no centro histórico pessoense com Lumy. Meio sem muita vontade por causa da chuvinha fina que sempre cai aqui no inverno e que me irrita profundamente. Mas fui. Tou lá numa jornada em busca de uma cerveja quando de repente ouço um grito-pergunta: "Gio?! Eu sou Manu!". Que eu já sabia que Manu era Manu quando eu dei de cara com ela. Foi massa. Não importa quantos anos de internet eu tenha, certos fenômenos sempre me pegam pelo pé como se eu fosse neófita. Esse de conhecer ao vivo pessoas virtuais amigas sempre me emociona. E a gente ficou de conversa mole um tempão. Mas né? Quem me conhece ao vivo sabe o quanto eu sou capaz de falar se me derem espaço. Aí eu nem conversei tudo que eu queria conversar com Manu, mas estou certa de que a gente vai se encontrar de novo. E fico deveras feliz com isso.
Caminhar né? No calçadão. Ao cair da tarde. Assim uma coisa saudável. E comer açaí? Mais ainda. Certo, beleza, tamos aí. Mas as pessoas amigas residentes nesta cidade exageram. Agora é um tal de açaí toda semana e correr e nadar e, afe, jogar vôlei. Como assim pessoas? Zabellicota bem observou, ou teria sido Ailton? Não, eu não tenho cara de quem gosta de jogar vôlei. Nem cara, nem disposição física, nem talento, nem patavina. Mas né? Tudo em nome da sociabilidade. Até ver filmes ruins, só porque Andrei queria porque queria ir ver o danado do filme que a gente já sabia que era ruim no cinema. Até perdoar Bruno porque ele tá no fim do período e só me viu duas vezes. É. Amigos né? Tamos aí.
Tem outras. Mas né? A pessoa divide o computador com os outros milhões de pessoas que dormem sob o mesmo teto dessa casa. Inclusive com sua própria filha-postiça que fica do lado da pessoa enquanto a pessoa escreve pentelhando a hora toda pra pessoa parar de escrever que já escreveu demais que ela quer entrar na internet e atualizar o flog e fuçar o orkut alheio e tagarelar no emessene. Por isso, deixem eu ir nesse momento. Eu juro e prometo - toda vez né? eu juro e prometo nas férias - que depois eu escrevo mais.
quarta-feira, 21 de junho de 2006
Eu tinha combinado comigo mesma que meu próximo post seria alegre e otimista e alto-astral e essa coisa toda. Que nem combina com meu estado de espírito nesse momento da minha vida. Mas né? Eu ia tentar.
E eu me disse: "Então vai ter que postar antes do dia 21 de junho".Que o dia 21 de junho é um dia complexo. Eu realmente pensei nisso uma semana atrás. Mas não deu. Não postei. E o dia 21 de junho chegou. E cá estou eu. E não há no mundo nada mais em que eu consiga pensar hoje a não ser isso.
O dia 21 de junho é o dia da morte do meu pai.
Olhem. Eu detesto isso sabem? Autocomiseração. Autoflagelação. Autovitimização (essa foi boa). Oh deuses todos como sou infeliz e coitada e pobrezinha de mim. Odeio. Muita gente por aí perdeu o pai ou outra pessoa querida e continua em pé. Como eu. Porque é aquela coisa. É preciso continuar o tempo não pára the show must go on. Eu sei. Eu juro e prometo que eu sei bem.
Mas. Cara. Não dá. Você tenta. Você tenta de verdade. Mas não sai da cabeça. Não sai do coração. Dezesseis anos. E continua doendo como se tivesse acontecido ontem. E você começa a escrever ou falar sobre isso no dia de hoje e quando você vê o nó na garganta já tá apertado. E você chora na frente do computador. É um caso de corpo de bombeiros com certeza. Quem foi mesmo que inventou os blogs hein?
Eu não devia postar isso. Mas eu odeio pensar os negócios e escrever e depois jogar fora. Odeio. E infecciona né? Eu acredito que sim. Se você deixa os negócios guardados no fundo do baú que tem dentro do peito. Melhor postar mesmo. Fuck.
Aí eu tentei pensar: "Daqui a pouco você vai pra João Pessoa e isso tudo vai passar". Aí logo depois eu tentei pensar de novo: "Vai ficar lá, com seus amigos e seu cachorro e sua família na casa onde vocês sempre sonharam morar". Certo. Família né? Na casa dos sonhos né? E eu lembrei. O pai né? E o sonho foi sonhado junto com ele. E ele recitava uma poesia de Cecília Meireles (daquele livro. lembram?) que diz assim:
O ultimo andar
No ultimo andar é mais bonito:
Do ultimo andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.
O ultimo andar é muito longe:
Custa-se muito a chegar.
Mas é lá que eu quero morar.
Todo o céu fica a noite inteira
Sobre o ultimo andar.
É lá que eu quero morar.
Quando faz lua, no terraço
Fica todo o luar.
É lá que eu quero morar.
Os passarinhos lá se escondem
Para ninguém os maltratar:
No ultimo andar.
De lá se avista o mundo inteiro:
Tudo parece perto, no ar.
É lá que eu quero morar:
No ultimo andar.
E você adorava essa poesia. E ficava construindo seu castelinho no ultimo andar dentro da cabecinha de criança. Seu castelinho no ultimo andar no Cabo Branco. E o castelinho se concretizou e de lá agora você de fato vê o mar e todo o luar. E os passarinhos e o mundo inteiro. Mas falta né? O pai. Vai faltar sempre. E não há nada que ninguém possa fazer. Nada a fazer a não ser lembrar. E pensar. Pensar e dizer baixinho com você mesma.
É bonito, pai. É muito bonito o nosso ultimo andar.
E eu me disse: "Então vai ter que postar antes do dia 21 de junho".Que o dia 21 de junho é um dia complexo. Eu realmente pensei nisso uma semana atrás. Mas não deu. Não postei. E o dia 21 de junho chegou. E cá estou eu. E não há no mundo nada mais em que eu consiga pensar hoje a não ser isso.
O dia 21 de junho é o dia da morte do meu pai.
Olhem. Eu detesto isso sabem? Autocomiseração. Autoflagelação. Autovitimização (essa foi boa). Oh deuses todos como sou infeliz e coitada e pobrezinha de mim. Odeio. Muita gente por aí perdeu o pai ou outra pessoa querida e continua em pé. Como eu. Porque é aquela coisa. É preciso continuar o tempo não pára the show must go on. Eu sei. Eu juro e prometo que eu sei bem.
Mas. Cara. Não dá. Você tenta. Você tenta de verdade. Mas não sai da cabeça. Não sai do coração. Dezesseis anos. E continua doendo como se tivesse acontecido ontem. E você começa a escrever ou falar sobre isso no dia de hoje e quando você vê o nó na garganta já tá apertado. E você chora na frente do computador. É um caso de corpo de bombeiros com certeza. Quem foi mesmo que inventou os blogs hein?
Eu não devia postar isso. Mas eu odeio pensar os negócios e escrever e depois jogar fora. Odeio. E infecciona né? Eu acredito que sim. Se você deixa os negócios guardados no fundo do baú que tem dentro do peito. Melhor postar mesmo. Fuck.
Aí eu tentei pensar: "Daqui a pouco você vai pra João Pessoa e isso tudo vai passar". Aí logo depois eu tentei pensar de novo: "Vai ficar lá, com seus amigos e seu cachorro e sua família na casa onde vocês sempre sonharam morar". Certo. Família né? Na casa dos sonhos né? E eu lembrei. O pai né? E o sonho foi sonhado junto com ele. E ele recitava uma poesia de Cecília Meireles (daquele livro. lembram?) que diz assim:
O ultimo andar
No ultimo andar é mais bonito:
Do ultimo andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.
O ultimo andar é muito longe:
Custa-se muito a chegar.
Mas é lá que eu quero morar.
Todo o céu fica a noite inteira
Sobre o ultimo andar.
É lá que eu quero morar.
Quando faz lua, no terraço
Fica todo o luar.
É lá que eu quero morar.
Os passarinhos lá se escondem
Para ninguém os maltratar:
No ultimo andar.
De lá se avista o mundo inteiro:
Tudo parece perto, no ar.
É lá que eu quero morar:
No ultimo andar.
E você adorava essa poesia. E ficava construindo seu castelinho no ultimo andar dentro da cabecinha de criança. Seu castelinho no ultimo andar no Cabo Branco. E o castelinho se concretizou e de lá agora você de fato vê o mar e todo o luar. E os passarinhos e o mundo inteiro. Mas falta né? O pai. Vai faltar sempre. E não há nada que ninguém possa fazer. Nada a fazer a não ser lembrar. E pensar. Pensar e dizer baixinho com você mesma.
É bonito, pai. É muito bonito o nosso ultimo andar.
quarta-feira, 14 de junho de 2006
Alguém disse uma vez que todo dia ao acordar precisamos lembrar de quem somos. Muito bem. Já é quase meio dia. Acordei às seis e meia. E ainda não lembrei quem eu sou. Mas isso não exatamente me angustia. Porque no fim das contas todas né? Eu não sei se eu sei mesmo quem eu sou de verdade.
Houve um tempo em que eu queria avidamente saber. Houve um tempo, esse mais recente, em que eu achei que sabia. Ocorreu uma coisa qualquer, não sei bem o quê, que me fez perder as certezas.
Pensando bem né? De que nos servem as certezas? Inútil ter certezas.
Sempre lembrando que a dúvida é o preço da pureza. Mas isso é outra estória.
Sim. Hoje eu acordei incrédula.
Normalmente eu recitaria Martha Medeiros. Como já fiz aqui uma vez. E diria:
O quarto ainda está crescente
E já venero a lua cheia.
O disco ainda nem foi lançado
E eu já sei a letra de cor.
O sol ainda nem nasceu
E já estou estendida na areia.
Fuzilem-me!
Não há nada em que eu não creia.
Por que essa sou eu. Fuzilem-me. Mas né? Hoje eu acordei incrédula.
Não perguntem o por quê. Hoje eu acordei incrédula. É só.
Alguém aí chame o corpo de bombeiros pra vir me resgatar.
Houve um tempo em que eu queria avidamente saber. Houve um tempo, esse mais recente, em que eu achei que sabia. Ocorreu uma coisa qualquer, não sei bem o quê, que me fez perder as certezas.
Pensando bem né? De que nos servem as certezas? Inútil ter certezas.
Sempre lembrando que a dúvida é o preço da pureza. Mas isso é outra estória.
Sim. Hoje eu acordei incrédula.
Normalmente eu recitaria Martha Medeiros. Como já fiz aqui uma vez. E diria:
O quarto ainda está crescente
E já venero a lua cheia.
O disco ainda nem foi lançado
E eu já sei a letra de cor.
O sol ainda nem nasceu
E já estou estendida na areia.
Fuzilem-me!
Não há nada em que eu não creia.
Por que essa sou eu. Fuzilem-me. Mas né? Hoje eu acordei incrédula.
Não perguntem o por quê. Hoje eu acordei incrédula. É só.
Alguém aí chame o corpo de bombeiros pra vir me resgatar.
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