domingo, 1 de abril de 2007

eu não sei se eu já disse isso aqui, mas eu tou dizendo agora então _ de novo, ou não

eu odeio finais de semana. sério. não é pra ser excêntrica, não.
agora eu lembrei. eu já disse aqui sim, disse que eu adorava segundas-feiras. pois. porque elas são o atestado de óbito do final de semana. e é quando, enfim, eu posso respirar aliviada.
porque, vejam. eu gosto de rotina. não, mentira. rotina me faz bem. não é exatamente gostar, passa perto, mas não é. eu gosto de me programar com antecedência, de anotar compromissos na agenda, de fazer listas de compras ou tarefas e depois ticar ao lado do que foi comprado ou realizado. aliás, eu adoro listas. de tudo. eu tenho um monte de caderninhos com as listas mais variadas que vocês podem imaginar. pra dar uma idéia: eu tenho um caderninho com uma lista das citações que eu já escrevi nas cartas para os meus amigos. uma lista com as citações, as datas das cartas e o nome dos amigos que receberam as cartas com as citações. eu também gosto muito de limpeza e organização. arrumar o armário é ótimo. é sim.
então, mas voltando à rotina e ao problema com os finais de semana. finais de semana não têm rotina alguma à qual eu possa me apegar. eu me sinto perdida. e solta no mundo. e eu odeio me sentir assim. talvez seja a sensação que eu mais detesto. me sentir perdida e solta. eu gosto de saber onde eu estou e de sentir meus pés no chão.
pois bem. toda sexta à noite começa a minha crise do final de semana. às vezes calha que o final de semana é agradável e prazeroso e tudo bem, beleza. mas no mais das vezes não é. ou até é, mas aí, em determinado momento eu me dou conta de que sim, ainda é final de semana, e pronto, eu começo a me sentir esquisita.
é o que ocorre agora. ontem foi um dia razoável. eu dormi à tarde, vi dois filmes bacaninhas, comi brownie, tomei suco de açaí com banana e abacaxi mais caldo de cana, joguei basquete com joão e li o veríssimo. hoje também, não foi nada mal, fui a um churrasco e comi queijo de coalho assado enquanto conversava com franceses, belgas e americanos sobre a diferença no custo de vida em diferentes lugares do planeta. e conheci crianças que moram num orfanato numa cidade perto daqui. e fiquei pensando numa forma de fazer pelo menos uma delas mais feliz.
aí, percebam. eu cheguei em casa e clique. me dei conta de que é domingo à noite ainda. e eu cansei já. eu quero a segunda. e, puxa vida, não foi um final de semana tão ruim assim, ora bolas, por que não é? por que raios eu preciso ficar aflita com um final de semana que já quase acabou?
não sei por que. eu sei que eu fico. e aí venho aqui ó, encher a paciência de vocês com a minha implicância para com o final de semana. e escrevo esse post, que não tem graça nenhuma e que só serviu pra eu desengasgar. porque, percebam, eu precisava dizer isso. isso que é quase uma blasfêmia. que eu odeio finais de semana. ponto.
se alguém aí tiver uma dica de como fazer o sábado e o domingo passarem mais rápido, eu tou aceitando sugestões hein?

segunda-feira, 26 de março de 2007

ê!

havia não é? muitas coisas a dizer sobre muitas outras coisas mais. mas o tempo não é? que anda curto como nunca. e eu me disse que puxa vida, que coisa mais besta essa de eu agora ter um blog novo _ ou apenas um mesmo blog com endereço novo com um template que eu sempre cobicei _ e não escrever nada sobre nada porque não sobrou tempo algum mais por causa da arquitetura, sempre ela. e eu me disse que eu viria aqui apenas para dizer isso, ou seja, para dizer nada, a verdade é essa, mas que eu viria mesmo assim, para dizer nada demais. apenas isso. ter um blog novo _ ou apenas um mesmo blog com endereço novo com um template que eu sempre cobicei _ é tudo o que há de bom. não ter tempo pra escrever no blog novo por causa do volume inacreditável de trabalho também é o que há. então pronto. é isso, é apenas isso. je suis heureuse. muito mesmo com força. e, deixa eu rasgar aqui a seda, a culpa é de lumy noda, minha irmã-comadre-e-agora-chefa e de andrei formiga, meu fiel-escudeiro-companheiro-de-programas-de-índio-e-futuro-sócio, que construiu ele mesmo em pessoa esse mundinho aqui. obrigada meus amados! e sim, bem-vindos amigos visitantes todos!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

"solidão é lava | que cobre tudo | amargura em minha boca | sorri seus dentes de chumbo"

que saco.

monotema né?

solidão e tal.

eu sei.

mas olhem.

eu conheci pessoas mega queridas. eu fiz amigos sinceros. e eu aprendi a odiar menos essa cidade. e eu até faço coisas interessantes que me enchem os dias.

mas.

ocorre, sometimes.

a solidão vem e ttiibbuusshh.

desaba na minha cabeça.

como um grande cubo de gelo num pequeno copo de chá gelado.

e eu desejo de coração ser sozinha nesse mundo pra poder morrer em paz sem ninguém pra ficar aqui chorando a minha ausência.

mas né?

não sou.

o filho, a mãe. a família, os amigos. todo o povo querido. o cão, a ovelha de pelúcia. as coisas.

e você se diz "beleza, eu vivo então".

mas.

às vezes é pesado e doloroso.

e você se olha bem no fundo de você mesma e vê uma grande anta, porque, oras as bolas todas, foi você mesma quem escolheu não foi? essa cidade, essa vida.

e porque, porque, com mil raios você não consegue uma vez sequer handle it for a while? e porque, porque, com mil raios, você não mete os peitos e dá a cara à tapa e pula no precipício e estrangula essa tristeza até ela sangrar? porque, porque, com mil raios, ao invés disso, você senta em sua cama com seu travesseiro encharcado de lágrimas (quem, com mil raios, inventou os travesseiros?), sua caixa de lenços kleenex de um lado (quem, com mil raios, inventou os lenços kleenex?), sua ovelha de pelúcia do outro (quem, com mil raios, inventou as ovelhas de pelúcia?), e seu computador no colo (quem, com mil raios inventou os computadores de botar no colo?) e chora todas as suas pitangas aqui nesse seu blog?

quem com mil raios, e porque, com mais mil, inventou os blogs?

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

pronto.

aconteceu.

agora tenho uma nova atividade profissional.

a mais intrigante possível pra pessoa que vos fala.

não que eu não a quisesse.

de certa forma, fui eu que a procurei.

mas, percebam.

sou colaboradora de uma revista de arquitetura.

pois é.

a arquitetura.

ela mesma.

em pessoa.

de novo.

na minha vida.

temei. temei.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Por que os seriados não são eternos ?

Por que a gente começa a ver os primeiros episódios e depois vira totalmente dependente emocionalmente do troço?

Por que depois eles acabam?

Por que a gente quase morre quando eles acabam?

Por que a gente fica lendo bobagens sobre o seriado que acabou?

Por que a gente fica fazendo esses testes ridículos?

Por que a gente se aperreia quando vê o resultado?

Por que, se a gente já sabia que o resultado seria esse mesmo?



Por que raios os seriados existem hein?

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Aí tem essa coisa louca do pertencimento. Ou da visibilidade. Que eu fui numa palestra do Gilberto Dimenstein e li o livro novo dele e fiquei sabendo que pertencimento e visibilidade são conceitos formalmente elaborados que as pessoas cultas discutem em círculos intelectuais privilegiados. E fiquei sabendo também que as pessoas violentam umas às outras e a si mesmas porque se sentem invisíveis e não-pertencedoras a lugar ou pessoa ou grupo algum.

E eu me dei conta de que às vezes é assim que eu me sinto. E eu nem sei porque que eu nem tenho razões pra isso. Mas é dessa forma que calha de ser. E, um dia, uma qualquer e mínima coisa ocorre e plim. Eu me sinto invisível e não-pertencedora de lugar algum, de pessoa alguma; de grupo algum nesse pequeno mundo. Chamem isso de liberdade se quiserem. Eu já chamei, um dia. Mas a pessoa cresce e tem filho e vê a própria mãe envelhecendo e esse conceito de liberdade ( e independência) passa a ser algo complexo.

Porque, percebem? É preciso ter asas. Mas para fazer a mágica de criar asas é preciso ter raízes. E, um dia, bom tempo depois de você ter deixado a barra da saia da mãe, você se pega se perguntando de que forma você poderá criar asas se você não consegue criar raízes, uma vez que a vida que você leva é uma vida vivida hoje aqui e amanhã sabe-se lá onde. E você diz isso à sua terapeuta e ela lhe pergunta se, uma vez que criar raízes era seu objetivo em sua vida, por que raios você se casou com um estrangeiro? E você sorri amarelo e se cala, porque, c'est vrai,você não sabe por que.

E aí como se não fosse grande o bastante a sua agonia, a sua família e amigos, antes concentrados no Brasil e na França, se espalharam de vez.

Seus sogros vão morar nos EUA, dois amigos íntimos em Guadalupe, um na Jordânia e mais dois na Índia. E sua única e amada cunhada nessa vida, faz o quê? Vai pra Índia também. E se apaixona por aquilo lá, assim como todos os seus amigos que por lá estiveram, e pior dos piores, assim como se apaixonou por aquilo lá seu próprio marido, não muitos anos atrás.

E a Índia, que antes já não era um lugar tão longe assim, uma vez que é pequeno, trop pequeno esse mundo, agora ficou mais perto do que nunca.

Medo. Grande. Grande medo.

Chamem os bombeiros mais uma vez.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

A revista Época dessa semana trouxe uma matéria intitulada "Só as mães são sinceras". Eu não gosto da Época. Eu nem devia dizer isso, agora que eu tenho uma amiga que é repórter lá (Rê, tu lê isso aqui? Diz que não, vai). Mas eu tenho que admitir que essa edição foi feliz abordando esse tema espinhoso. Pra resumir, a matéria fala sobre como as mães de hoje _ entendam, as mães com filhos relativamente pequenos, e que têm qualquer idade entre 20 e 40 anos _ estão cada vez menos temerosas em assumir que sim, ter filhos é dramático. E segue, falando dos blogs das mães modernas porém desesperadas, e de como esses veículos, de certa forma, auxiliaram essa mudança de postura diante da maternidade.

Porque vocês lembram. Cinqüenta anos atrás as mães eram somente mães e pronto. Não se esperava muito delas e elas ficavam quietas. Aí veio a tal da revolução feminista e as mães tiveram que trabalhar fora, subir na carreira, administrar bem a casa, dar beijinhos e coisinhas mais aos maridos antes de irem dormir, ter um corte de cabelo bacana, usar as roupas do momento, entender o mundo e acompanhar as noticias, sair com os amigos e se divertir com eles, dedicar-se ao restante da família e, ainda por cima, como se tudo isso não bastasse, criar filhos bonitos, inteligentes, saudáveis e felizes.

Percebem o grau de irrealidade da condição humana desse ser. Não é difícil concordar que essa mãe jamais de la vie conseguiria operacionalizar tudo isso. E nunca conseguiu. Minha própria mãe é uma prova cabal disso. Alguma coisa, uma delas, ou duas, acabou sempre ficando de lado. Às vezes calhou de ser a filha. Mas as mães produtos do feminismo eram (e são) incapazes de assumir que falharam. E essa é a diferença entre essa geração e a geração de mães na qual a minha pessoa está inserida.

As mães da geração de mães na qual a minha pessoa está inserida ainda têm que trabalhar fora, subir na carreira, administrar bem a casa, dar beijinhos e coisinhas mais aos maridos antes de irem dormir, ter um corte de cabelo bacana, usar as roupas do momento, entender o mundo e acompanhar as noticias, sair com os amigos e se divertir com eles, dedicar-se ao restante da família e, ainda por cima, como se tudo isso não bastasse, criar filhos bonitos, inteligentes, saudáveis e felizes.

A diferença crucial é que as novas mães são sim capazes de assumir não somente que falham, mas também de gritar bem alto pra todo mundo ouvir: não, tudo isso, eu não consigo. E mais, têm a coragem de pensar e verbalizar a frase complexa:

TER FILHOS É DRAMÁTICO.

É claro que não são todas as mães. Eu conheço um monte delas que age como se a maternidade fosse a coisa mais celestial dentre as coisas terrenas. Pessoas, às vezes é. Mas muitas vezes, não é de maneira alguma.

Ter filhos não é só dramático. É monótono, solitário e angustiante. Faz a gente ter vontade de morrer. Faz a gente ter vontade de matar. O filho, inclusive. Faz a gente se perguntar "putz, o que foi que eu fiz da minha droga de vida?". Faz a gente se arrepender e pensar que sem aquela criaturinha pequena, gorducha e chorona, a gente poderia estar num lugar longe e bacana, curtindo a vida adoidado.

É verdade. Mas pouca gente assume. Ou assumia, porque, graças aos deuses, e aos blogs, essa falsidade generalizada anda capengando.

Eu mesma. Por mais que eu sempre tenha pensado tudo isso, eu não lembro de ter dito de maneira clara nenhuma vez. Lendo a matéria eu me dei conta disso. E vim correndo escrever esse post.

Porque entendam. João é tudo na minha vida. E é uma criança altamente bem resolvida, que nunca me deu muito trabalho. Mas eu fiquei grávida aos dezoito anos, de uma cara que não significava muita coisa, e tive que rebolar, rebolar e rebolar pra fazer faculdade, trabalhar, namorar, manter os amigos e cuidar dele. Não, pessoas, não foi fácil, vocês devem imaginar. E teve umas horas demasiado trágicas, em que eu cogitei dar veneno a ele e depois tomar uma dose eu também. Ora bolas, a pessoa surta. Quem não tem filhos não deve ter muita noção, mas a pessoa definitivamente surta. É preciso um bocado de apoio, autocontrole, terapia e (por que não?) remedinhos faixa preta pra agüentar o tranco.

Mas o mais importante é: revelar A Verdade às demais pessoas. Ter filhos é dramático. Não se enganem. Pensem cinco vezes antes de casar. Pensem cinco mil vezes antes de ter filhos. No fim das contas, é uma criaturinha, sem culpa da sua maluquice, que você põe no mundo, e que merece ser bonita, inteligente, saudável e feliz. E você, uma vez que pôs ela no mundo, tem toda responsabilidade sobre isso. E precisa estar pronto pra encarar.

Então, ficamos assim combinados. Não façam filhos sem querer muito isso, certo? Já que a gente não consegue diminuir a infelicidade nesse mundo bandido, pelo menos, vamos evitar aumentar, né?