quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Por que os seriados não são eternos ?

Por que a gente começa a ver os primeiros episódios e depois vira totalmente dependente emocionalmente do troço?

Por que depois eles acabam?

Por que a gente quase morre quando eles acabam?

Por que a gente fica lendo bobagens sobre o seriado que acabou?

Por que a gente fica fazendo esses testes ridículos?

Por que a gente se aperreia quando vê o resultado?

Por que, se a gente já sabia que o resultado seria esse mesmo?



Por que raios os seriados existem hein?

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Aí tem essa coisa louca do pertencimento. Ou da visibilidade. Que eu fui numa palestra do Gilberto Dimenstein e li o livro novo dele e fiquei sabendo que pertencimento e visibilidade são conceitos formalmente elaborados que as pessoas cultas discutem em círculos intelectuais privilegiados. E fiquei sabendo também que as pessoas violentam umas às outras e a si mesmas porque se sentem invisíveis e não-pertencedoras a lugar ou pessoa ou grupo algum.

E eu me dei conta de que às vezes é assim que eu me sinto. E eu nem sei porque que eu nem tenho razões pra isso. Mas é dessa forma que calha de ser. E, um dia, uma qualquer e mínima coisa ocorre e plim. Eu me sinto invisível e não-pertencedora de lugar algum, de pessoa alguma; de grupo algum nesse pequeno mundo. Chamem isso de liberdade se quiserem. Eu já chamei, um dia. Mas a pessoa cresce e tem filho e vê a própria mãe envelhecendo e esse conceito de liberdade ( e independência) passa a ser algo complexo.

Porque, percebem? É preciso ter asas. Mas para fazer a mágica de criar asas é preciso ter raízes. E, um dia, bom tempo depois de você ter deixado a barra da saia da mãe, você se pega se perguntando de que forma você poderá criar asas se você não consegue criar raízes, uma vez que a vida que você leva é uma vida vivida hoje aqui e amanhã sabe-se lá onde. E você diz isso à sua terapeuta e ela lhe pergunta se, uma vez que criar raízes era seu objetivo em sua vida, por que raios você se casou com um estrangeiro? E você sorri amarelo e se cala, porque, c'est vrai,você não sabe por que.

E aí como se não fosse grande o bastante a sua agonia, a sua família e amigos, antes concentrados no Brasil e na França, se espalharam de vez.

Seus sogros vão morar nos EUA, dois amigos íntimos em Guadalupe, um na Jordânia e mais dois na Índia. E sua única e amada cunhada nessa vida, faz o quê? Vai pra Índia também. E se apaixona por aquilo lá, assim como todos os seus amigos que por lá estiveram, e pior dos piores, assim como se apaixonou por aquilo lá seu próprio marido, não muitos anos atrás.

E a Índia, que antes já não era um lugar tão longe assim, uma vez que é pequeno, trop pequeno esse mundo, agora ficou mais perto do que nunca.

Medo. Grande. Grande medo.

Chamem os bombeiros mais uma vez.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

A revista Época dessa semana trouxe uma matéria intitulada "Só as mães são sinceras". Eu não gosto da Época. Eu nem devia dizer isso, agora que eu tenho uma amiga que é repórter lá (Rê, tu lê isso aqui? Diz que não, vai). Mas eu tenho que admitir que essa edição foi feliz abordando esse tema espinhoso. Pra resumir, a matéria fala sobre como as mães de hoje _ entendam, as mães com filhos relativamente pequenos, e que têm qualquer idade entre 20 e 40 anos _ estão cada vez menos temerosas em assumir que sim, ter filhos é dramático. E segue, falando dos blogs das mães modernas porém desesperadas, e de como esses veículos, de certa forma, auxiliaram essa mudança de postura diante da maternidade.

Porque vocês lembram. Cinqüenta anos atrás as mães eram somente mães e pronto. Não se esperava muito delas e elas ficavam quietas. Aí veio a tal da revolução feminista e as mães tiveram que trabalhar fora, subir na carreira, administrar bem a casa, dar beijinhos e coisinhas mais aos maridos antes de irem dormir, ter um corte de cabelo bacana, usar as roupas do momento, entender o mundo e acompanhar as noticias, sair com os amigos e se divertir com eles, dedicar-se ao restante da família e, ainda por cima, como se tudo isso não bastasse, criar filhos bonitos, inteligentes, saudáveis e felizes.

Percebem o grau de irrealidade da condição humana desse ser. Não é difícil concordar que essa mãe jamais de la vie conseguiria operacionalizar tudo isso. E nunca conseguiu. Minha própria mãe é uma prova cabal disso. Alguma coisa, uma delas, ou duas, acabou sempre ficando de lado. Às vezes calhou de ser a filha. Mas as mães produtos do feminismo eram (e são) incapazes de assumir que falharam. E essa é a diferença entre essa geração e a geração de mães na qual a minha pessoa está inserida.

As mães da geração de mães na qual a minha pessoa está inserida ainda têm que trabalhar fora, subir na carreira, administrar bem a casa, dar beijinhos e coisinhas mais aos maridos antes de irem dormir, ter um corte de cabelo bacana, usar as roupas do momento, entender o mundo e acompanhar as noticias, sair com os amigos e se divertir com eles, dedicar-se ao restante da família e, ainda por cima, como se tudo isso não bastasse, criar filhos bonitos, inteligentes, saudáveis e felizes.

A diferença crucial é que as novas mães são sim capazes de assumir não somente que falham, mas também de gritar bem alto pra todo mundo ouvir: não, tudo isso, eu não consigo. E mais, têm a coragem de pensar e verbalizar a frase complexa:

TER FILHOS É DRAMÁTICO.

É claro que não são todas as mães. Eu conheço um monte delas que age como se a maternidade fosse a coisa mais celestial dentre as coisas terrenas. Pessoas, às vezes é. Mas muitas vezes, não é de maneira alguma.

Ter filhos não é só dramático. É monótono, solitário e angustiante. Faz a gente ter vontade de morrer. Faz a gente ter vontade de matar. O filho, inclusive. Faz a gente se perguntar "putz, o que foi que eu fiz da minha droga de vida?". Faz a gente se arrepender e pensar que sem aquela criaturinha pequena, gorducha e chorona, a gente poderia estar num lugar longe e bacana, curtindo a vida adoidado.

É verdade. Mas pouca gente assume. Ou assumia, porque, graças aos deuses, e aos blogs, essa falsidade generalizada anda capengando.

Eu mesma. Por mais que eu sempre tenha pensado tudo isso, eu não lembro de ter dito de maneira clara nenhuma vez. Lendo a matéria eu me dei conta disso. E vim correndo escrever esse post.

Porque entendam. João é tudo na minha vida. E é uma criança altamente bem resolvida, que nunca me deu muito trabalho. Mas eu fiquei grávida aos dezoito anos, de uma cara que não significava muita coisa, e tive que rebolar, rebolar e rebolar pra fazer faculdade, trabalhar, namorar, manter os amigos e cuidar dele. Não, pessoas, não foi fácil, vocês devem imaginar. E teve umas horas demasiado trágicas, em que eu cogitei dar veneno a ele e depois tomar uma dose eu também. Ora bolas, a pessoa surta. Quem não tem filhos não deve ter muita noção, mas a pessoa definitivamente surta. É preciso um bocado de apoio, autocontrole, terapia e (por que não?) remedinhos faixa preta pra agüentar o tranco.

Mas o mais importante é: revelar A Verdade às demais pessoas. Ter filhos é dramático. Não se enganem. Pensem cinco vezes antes de casar. Pensem cinco mil vezes antes de ter filhos. No fim das contas, é uma criaturinha, sem culpa da sua maluquice, que você põe no mundo, e que merece ser bonita, inteligente, saudável e feliz. E você, uma vez que pôs ela no mundo, tem toda responsabilidade sobre isso. E precisa estar pronto pra encarar.

Então, ficamos assim combinados. Não façam filhos sem querer muito isso, certo? Já que a gente não consegue diminuir a infelicidade nesse mundo bandido, pelo menos, vamos evitar aumentar, né?

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Então. ocupações mil + internet ruim de doer + Juca doente = minha pessoa sumida. Foi mal pessoas. Detesto fazer isso. Sumir assim sem mais.

Mas, eis que certas pessoas, somente porque agora têm blog novo, acham-se no direito de cobrar atualização. E eu resolvi atualizar. Não que eu esteja recebendo ordens. Mas era tempo mesmo já.

Deixa eu recapitular.

Dia 5 fui a uma palestra de um japonês _ professor Kunichi _ (falando em francês!) especializado na obra de Artaud, que é um dramaturgo francês doido que eu estou estudando agora, e na de Hijikata, que é um coreógrafo japonês, também doido, que eu também estou estudando agora. Haja abstração. Pras aulas e pra palestra. Fiquem somente sabendo que Artaud foi internado dezenas de vezes em hospitais psiquiátricos ao longo da vida. Que ficou viciado em peyote quando viveu por uns tempos entre os Tarahumaras no México. Que durante uma palestra simulou um ataque de peste. Que escrevia com cocô de mosquito. Hijikata, por sua vez, queria destruir o corpo, porque o corpo não pode simplesmente funcionar, ele tem que ser algo maior. Hijikata propôs colocar uma escada dentro do corpo e descer até o lugar mais profundo pra ver o que encontraríamos lá. Somente. Tem mais. Mas acho que isso chega pra dar uma idéia. Eu amo muito tudo isso.

Dia 8 fui dar uma olhada na Bienal de Arte com Dina. Gostei e tal. Mas tem todas aquelas obras que você vê e se pergunta "o que diabo é isso?" ou "isso é arte?" ou se diz "meu filho de 7 anos faz melhor" ou ainda "eu devia ter ficado em casa". Fora essas obras, tem as que são geniais e que fazem o troço valer a pena. Eu gosto de ler bem muito sobre uma exposição antes de ir ver, porque senão eu não entendo coisa nenhuma mesmo e sinto que perdi meu tempo. Sobre essa Bienal eu li enciclopédias, de tantos que foram os artigos de revistas. E foi bom. Entender as coisas é importante. No mais, foi bom demais rever Dina, jogar conversa fora, rir dos paulistanos modernos com suas roupas excêntricas, passear no parque, tirar fotos sem noção, comer quebra-queixo, beber caipirinha, ficar bêbada e acordar no outro dia com dor de cabeça. Viver é bom. Às vezes enche. Mas às vezes é bom. Eu acho.

Dia 12 teve dia das crianças né? e teve então toda aquela coisa de comprar presente, levar nas festinhas e shows e teatrinhos e brinquedotecas. Ser mãe é padecer, mas não no paraíso. É a ditadura da diversão sem descanso. Enfim. Eu também amo muito tudo isso. Devo logo confessar.

Dia 13. Dia 14. Dia 15. Feriado prolongado. O que acontece? Paulista que é paulista, caipira, assim, do interior, que nem eu, faz o que? Sai correndo pra praia. Foi o que fiz. O que todo mundo fez. E tudo _ as praias, os bares, os restaurantes, as pousadas, os museus, os parques, as estradas _ absolutamente tudo estava absolutamente lotado. Mas né? Que graça teria se fosse assim fácil? Nenhuma. Então pronto. Passei um dia em Santos e dois em São Sebastião e vi umas paisagens lindas de chorar. Sério. De chorar. Se bem que né? Eu chorei vendo Irmão Urso. Então eu não sou parâmetro nesse quesito. Não sou não.

Voltei a ler Norwegian Wood depois de algumas semanas. Que eu tinha parado porque era tanta desgraça na vida das pessoas que eu me revoltei. E o resto foi como eu pensei. Triste, triste, triste. Ô povo besta esse, que lê livros que fazem sofrer. Ainda bem que eu não sou assim. Mas eu preciso falar desse livro com calma. Eu juro e prometo que eu falo. Ah, comecei a ler Obrigado, Jeeves. Presente de Dridri _ meu recomendador oficial de livros cults e obscuros. É meu novo livro do ônibus. Eu falei sobre isso? Não né? Então. Como agora eu passo boa parte da minha semana dentro do ônibus, eu inventei o "livro do ônibus". Bem, é um livro que fica na mochila que eu carrego pra tudo que é canto. Deve ser pequeno e leve, que eu sou fraquinha e não consigo ficar andando por aí com um livro pesado nas costas. E eu leio somente no ônibus. E aposto comigo mesma que eu acabo o livro antes da semana acabar. E eu quase sempre ganho! Rá!

Vendo filminhos bacanas. Preguiça de falar de todos. Mas gostei especialmente de Totalmente Kubrick e A Lula e a Baleia. Chorei com o segundo. Também. Meu estoque de lagrimas é inversamente proporcional ao tamanho do meu estômago. Enfim. Filhos sofrendo me fazem chorar. Batata.

Agora eu vou ali voltar a escrever meu primeiro trabalho a ser entregue. Que era pra ser entregue ontem, quinta! Afe! Hoje, só amanhã. Mas eu consigo. Torçam por mim que eu consigo sim. Depois falo dele somente pra entediar a todos. E depois escrevo mais. Juro e prometo.

ps: fotos da Bienal e de Santos e de São Sebastião, aqui e ali.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Aí a pessoa foi ver e levar seu próprio filho pra ver a exposição sobre Grande Sertão: Veredas, do Guimarães Rosa, no mais que bacana Museu da Língua Portuguesa.

Aí era uma daquelas exposições modernosas e estilosas, cheia de instalações surpreendentes e originais. E havia fragmentos do texto espalhados por todo o primeiro andar do museu, nas formas mais variadas, e você escalava escadas pra ler frases pintadas nas paredes e no chão, e puxava cordas e pedaços de tecido com frases impressas deslizavam do teto, e era aquela coisa interativa toda e havia ainda a terra do sertão por todos os lados, os sons do sertão ecoando o tempo todo, e de repente a pessoa espiou por um buraquinho na parede feito pra espiar mesmo e viu uma foto aérea de Paris, e por cima da foto estava escrito:

O sertão é em toda parte.

E a pessoa estremeceu e chorou. E procurou um cantinho pra se esconder porque a emoção foi mesmo daquelas violentas.

Porque, percebam. Aquela frase, por cima daquela foto, estava ali pra mim. Estou certa disso. Não tenho a mais ínfima duvida de todas. E como? Me digam. Como não estremecer e chorar? Se era Paris, logo Paris, e eu percebi que o sertão estaria sempre, pra todo O Sempre, em todo e qualquer lugar, porque o sertão que eu conheço, que faz parte de mim sem que eu consiga dele me separar, o sertão onde o meu pai nasceu e onde eu vivi muitas das minhas melhores lembranças, esse sertão, o meu sertão pessoal, intimo e intransferível, está aqui guardado comigo, no lugar mais seguro que existe dentro de mim. E não importa pra onde eu vá nesse mundo pequeno, minúsculo, ridículo, o sertão irá toda vez comigo.

Porque ele é em toda parte.




Ps: como se não fosse suficiente, outra pessoa vem e dedica uma poesia bem feia à minha própria pessoa. decididamente, chamem os bombeiros.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

oi quadrado querido!

mi, era dia de email coletivo sim, mas eu sou uma relapsa e nem escrevi. importante é que eu tou escrevendo agora né? pois.

então, meu fds foi um caso sério. porque fds é tempo de descanso né? mas aí a socialidade né? é uma coisa importante na vida das pessoas. e eu voltei sexta de são paulo, mortinha da silva, às 4 da tarde e às 8 tava na estrada de novo, voltando pra lá, pois sim, que guiom fez amigos novos lá e eles convidaram a gente pra jantar. mas, era de noite, fica ruim de ver as placas e o mapa e a gente se perdeu feio naquela cidade gigante e vimos polícia prendendo bandidos com direito a tiros e tudo, foi uma emoção só. resultado: chegamos tardérrimo no tal jantar, joão tava apavorado, guiom uma pilha e eu um bagaço. daí tentei ser simpática com os amigos novos, claro, que eu achava que eram todos portugueses. mas nem eram. tinha um chileno, um italiano e um polonês e a minha cabeça tava lenta lenta e meu inglês|francês|alemão|espanhol não tava funcionando muito bem. enfim. legais as pessoas, mas não consegui conversar muito. juro que tentei, mas nesse dia não deu.

por causa disso chegamos em casa quase de manhã e eu continuei mortinha da silva o resto do fds. e tinha pilhas de livros e textos pra estudar que os meus trabalhos finais das disciplinas desse semestre estão meio mirabolantes. são três: uma de historia do teatro, outra de crítica cultural e outra de educação-cultura-comunicação-linguagem. pessoas, vocês não têm a menor noção do quanto esse troço é puxado. saca um nível de exigência além das suas capacidades? pois saquem. e ainda tem essa de escrever monografias monstruosas pra cada uma no fim do semestre. problema é: tem uma que acaba semana que vem! e eu tou arrancando metade dos meus cabelinhos. essa que acaba semana que vem foi a aula de hoje; aí a anta que vos escreve inventou de fazer um comentário metido sobre umberto eco na aula e se fudeu (foi mal o palavrão, mas é isso); professor encasquetou que minha própria monografia dessa disciplina vai ser uma viagem qualquer sobre a polarização apocalípticos x integrados. sacam? fudida. totalmente. ler aquele livro indecifrável. e escrever sobre isso. alguém aí me salve por favor.

pra compensar o choque (mulher TEM que compensar o choque né? TEM que), entrei no primeiro brechó que surgiu no meu caminho e comprei três vestidos. tá, eram lindos. tá, eram baratos. mas precisava? não né? mas eu TINHA que. entendem né? eu sei que sim. agora tou com dor na consciência e no bolso, que é bem pior..

e chove. nunca chove nessa terra, mas, quando chove, a pessoa jura que é o dia do juízo final. aí duas semanas atrás foi o dia mais frio do ano, sensação térmica de 3 graus. semana passada fez 40 e agora deve estar nuns 18. e a saúde da pessoa indo pro brejo direto sem escalas que não haá ser humano nessa galáxia que agüente essa palhaçada climática.

falando em saúde, minha ginecologista suspeita que eu esteja com endometriose. por favor, não contem à minha mãe que eu sou filha única e ela é velhinha. mas eu tou com medinho. medo mesmo não, medinho só. e tem as espinhas. que não me abandonam jamais de la vie. e minha dermatologista fala que são os hormônios malucos por causa da possível endometriose e eu fico nessa. já tou no quinto remédio pra acne desse ano. e isso sem contar a parafernália de pílulas e géis e loções e cremes e protetores que eu tenho que passar todo dia o dia todo. pareço uma maluca no banheiro da puc no meu ritual de beleza depois do almoço. é tragicômico.

ah, esse fds eu vi dois filminhos legais: "a máquina" de joão falcão, com mariana ximenes e "querida wendy", com roteiro de lars von trier. gostei de ambos. e tou lendo um livro chamado norwegian wood, mas depois falo dele.

mas assim: cadê isabella hein? zabé? tu tá aqui? favor deixar recado, certo? grata pela preferência.

meninas eu vou indo. combinem o dia da gente se encontrar no msn ok?

beijos a todas!

gio.

ps: eu pensei em postar parte desse email no blog.. post tipo "quebrei minha unha hoje". vocês se incomodam? eu tiro os trechos mais "intimistas" hehehe. sabem como é: inspiração escassa..




precisa comentar? não né? beleza então.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Tem dias que bate uma nostalgia braba na vida da pessoa.

Don't you cry tonight
I still love you baby
Don't you cry tonight
There's a heaven above you baby
Don't you cry tonight

Como se ouvir essa musica não fosse suficiente, quando acaba a fita (sim, a fita) do Guns você coloca a fita (sim, a fita; outra) da Legião pra tocar.

Todos os dias
Quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo
Do mundo

É uma situação complexa.

Quando eu tinha treze anos, eu ficava deprê com essas duas musicas. A primeira porque me lembrava de um amor platônico que eu cultivava desde os oito (!) anos com uma perseverança cega que me impressiona até hoje. A segunda porque me fazia pensar no dia em que eu já não poderia mais ingenuamente pensar que eu tinha todo o tempo do mundo porque eu era tão jovem. E as duas juntas ao mesmo tempo agora porque eu tinha certeza (hahaha) de que quando eu fosse gente grande eu não sofreria mais por amor (hahaha).

Quando eu tinha treze anos, eu achava que chegaria um tempo em que os problemas teriam fim. Quando eu tinha treze anos eu era uma grandessíssima tonta.

Acho que ainda sou.

Quando eu tinha treze anos eu sofria desde os oito (!) por conta da total ignorância de Fred com relação à minha pessoa. Pior. Porque se ele efetivamente me ignorasse de todo, eu ainda teria a possibilidade de me apegar à chance de que um dia ele olharia pra mim. Mas não. Ele não efetivamente me ignorava de todo. Ele sabia quem eu era. E ele até gostava de mim e era atencioso e educado. Problema é que eu era a melhor amiga da irmã caçula dele. Problema dos grandes. Eu era filha de grandes amigos dos pais deles e nossas famílias eram da mesma cidade. Ele praticamente me viu nascer. Era esse o problema. Dos grandes. Eu era alguém na vida dele sim. Alguém de certa forma importante. Que merecia respeito e carinho. E só. E eu amava Fred com toda a força do meu coraçãozinho de criança e mais tarde de pré-adolescente. E isso durou dos oito (!) aos treze anos. Sem que eu conseguisse achar graça em outro menino qualquer do universo. E eu vi Fred se apaixonar e azarar e namorar outras meninas. Que pra mim eram as mais felizes e sortudas de todas. Todos eles ¿ Fred e suas namoradinhas ¿ lá em cima no alto de um pedestal onde eu nunca conseguiria chegar.

Um dia eu cresci e Fred teve que morrer pra mim. Teve né? Porque a fila anda. Sempre anda. Tem que andar. Depois a gente se reencontrou e eu namorei um amigo dele e a gente se perdeu de novo e se reencontrou e a mesma coisa um monte de vezes. Aí ele sumiu no mundo. Quer dizer. Eu sempre soube onde ele estava. Que eu sou muito amiga da irmã caçula dele até hoje. Mas ele sumiu da minha vida de vez. Por um longo tempo.

Aí, em julho passado, tou eu perambulando de bar em bar na feirinha de Tambaú em companhia de Brubru e Dridri e com quem eu dou de cara? Pois foi. E essas lembranças todas me vieram à cabeça na hora em que eu vi Fred surgindo no fim da rua. Eu não pude me impedir de abraçá-lo apertado. Depois de perceber o tamanho da afeição que eu sinto por ele até hoje. Trocamos umas frases e depois fomos cada um pra um lado. Mas eu continuei sorrindo pelo resto da noite. Porque eu entendi. O quanto Fred foi importante pra mim. Por mais tonta que eu tenha sido por tanto tempo.

Fred me fez acreditar por anos e anos que chegaria o dia em que eu não mais sofreria por causa de amores contrariados. Me fez acreditar que um dia eu encontraria alguém especial e me apaixonaria e decidiria dividir a vida com essa pessoa e casaria e faria planos.

Bem.

Assim foi. A diferença é que eu achei - eu sempre achei - que nesse dia eu deixaria de sofrer e de me perguntar se era isso e de querer morrer às vezes.

E era tudo mentira. Essas coisas todas nas quais eu acreditei. Que eu deixaria de sofrer e tudo mais. Porque ninguém deixa.

Pelo menos eu acho que não. E eu acho também que se a pessoa deixa de sofrer e de se perguntar se é isso e de querer morrer às vezes é porque a pessoa já morreu e nem notou.

Bonito falar né?

Mas quem foi que disse que é bacana sofrer?